CLIENT: ÁGUA SERRA DA ESTRELA
AGENCY: DIGITAL HUB SUMOL+COMPAL
COPY: TOMAS QUITÉRIO
PRODUCTION HOUSE: FLESH512

ACCOUNT MANAGER: MATILDE MÚRIAS
DIRECTOR: CÁTIA SANTOS
EXECUTIVE PRODUCER: MARIANA CORREIA
Production Assistant: Beatriz Carmo
ORIGINAL DRONE FOOTAGE: ALEX FILIPE
AI ARTIST & EDITOR: Cátia Santos
VFX: DAVID MIGUEL
Audio Recording Studio: Billy Boom
VO: Catarina Guerreiro
Sound Design: Tiago Galvão


7 de junho de 2026
(sobre fevereiro 2025)
Este projeto teve lugar no início da minha exploração da inteligência artificial como uma ferramenta criativa. O objetivo não era substituir processos que já existem, mas sim, entender que tipo de imagens e linguagens poderiam resultar do encontro entre a intenção humana e sistemas que geram conteúdo de forma automática. 
A partir das imagens de produto que foram fornecidas pelo cliente e das filmagens realizadas por um operador de drone FPV na Serra da Estrela, procurei expandir o universo visual que já existia e criar uma continuidade que não estava presente nas filmagens originais. O plano de abertura é resultado da junção de vários planos diferentes, ligados através de transições geradas por inteligência artificial, criando um único caminho entre várias paisagens.
Outras sequências, como o crescimento rápido da vegetação, o movimento dos pássaros e vários planos que mostram a transformação da paisagem, foram criadas de raíz. Em vez de tentar esconder a sua origem, essas imagens assumem uma linguagem própria. Existe uma estranheza subtil nelas, que é difícil de reproduzir com meios não convencionais, e que acaba por se tornar parte da identidade do filme. 
A inteligência artificial continua a levantar questões que são importantes sobre autoria, controlo e produção de imagem. Ainda assim, interessa-me observá-la enquanto linguagem própria e identitária. Assim como qualquer ferramenta, traz consigo limitações, imperfeições e comportamentos inesperados. E é, muitas vezes, nesses desvios que surgem caminhos que não teriam sido imaginados de outra forma. 
O processo transforma-se numa negociação constante entre a intenção e o acaso. Há uma vontade de controlar todos os detalhes, mas também existe a necessidade de aceitar aquilo que a ferramenta nos devolve. É nessa tensão entre o controlo e a imprevisibilidade que reside grande parte do interesse deste trabalho e, talvez, uma das características mais particulares da criação com inteligência artificial.